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Passadeiras efeito dominó

por Sarin, em 30.04.19

Não sei de que me ria mais:

* Do receio de uma vizinha que me perguntava se as passadeiras arco-íris não dificultariam a travessia, "assim todas às cores e em redondo";

* Da descoberta de que a ideia de as pintar em Lisboa partiu de membros do CDS-PP;

* Do perceber que a ideia avançou e foi aprovada entre gritos de discordância do próprio partido e o apelo à intervenção de Cristas para pôr ordem na casa. Ou na rua, no caso.

 

O Bloco costuma ter ideias assim: diferentes irreverentes alegres... assim. Umas divertidas outras de mau gosto, mas ninguém lhes pode negar o colorido - e não apenas por causa dos direitos LGBT. Está bem que a ideia não é nova, mas... novos tempos, estes da irreverência de gravata.

 

Que não uso. Nem uso chapéu, mas tirá-lo-ia perante Abel Matos Santos. Por muito importante que a sensibilização possa ser, não posso deixar de concordar com a sua reflexão: "A inclusão faz-se rebaixando passeios para as pessoas com mobilidade reduzida, instalando dispositivos sonoros para cegos e tapando buracos na via pública." Concordo, e gostaria também de aplaudir uma proposta efectiva do CDS-PP tendente a esta inclusão de que fala AMS. Talvez um dia...

Parece-me que AMS esbarra algures na ilegalidade e no perigo das passadeiras arco-íris, como lhes chamam, mas convenhamos que a sua preocupação é legítima e lhe fica bem - a minha vizinha partilhava tais apreensões há uns anos. Parece-me também que AMS supõe que atender a esta inclusão substitui atender à outra, ou talvez que uma é mais importante que a outra... mas talvez seja erro de interpretação da minha parte - é amplamente sabido que a sensibilização é muito importante para esbater a discriminação nas questões de género. Afinal, digo eu, ser uma questão íntima não é exactamente o mesmo que ser uma questão silenciada. Além disso, acho que os orçamentos para rebaixar passeios são substancialmente diferentes dos das latinhas de tinta, mas não quero desanimar Abel Matos Santos, defensor da inclusão!

E perante este seu discurso pergunto-me como terá desenvolvido este homem um tal desejo por sangue: demitir o responsável por tal proposta? Assim tão sumaria e radicalmente? Aparentemente, a democracia ainda não chegou, ou já desapareceu, do CDS-PP. Então não há liberdade de opinião e de acção, nem sequer nas autarquias?!

Talvez se tenham passado coisas estranhas nos bastidores, não sei, nunca fui íntima; mas, assim de repente, parece indignação genuína por parte dos mais conservadores dos conservadores - daqueles que rejeitam quaisquer alterações ao modo de vida como a conheciam, embora alguns já só de ouvir falar e por isso não saibam muito bem como agir.

Mas tudo ganha outros contornos quando percebo que este Abel é o mesmo Abel do Tendência Esperança em Movimento, o que há um ano surgiu como opositor de Cristas e teve quase 10% dos apoios. Giríssimas, as guerras internas, e ainda mais coloridas do que as passadeiras em causa!

Colar Cristas às passadeiras teria um simbolismo profundo e um resultado prático interessante de observar... mas desconfio que Assunção é mais dada a cavalgar unicórnios.

[há dias de muita inspiração. outros que não. nada como espreitar também os postais anteriores]

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lançado às 22:30

Je suis António

por Sarin, em 30.04.19

Recordo um excerto do editorial do The New York Times publicado em 29 de Fevereiro de 2016 sobre os ataque ao Charlie Hebdo, intitulado "From 'Je suis Charlie' to attacks on Free Speech":

"(...) and his postscript: “Somebody will say, ‘Oh freedom of speech, freedom of speech.’ These are foolish people.”

On the contrary, what is foolish is the rush to exploit fear and crisis to suppress the freedoms that define democracy — the very freedoms Charlie Hebdo stood for and its attackers sought to undermine.>>

 

Parece, no entanto, que o The New York Times apenas defende a liberdade de expressão se e só esta não ofender amigos. A "opinião pública" é tramada!

 

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Imagem publicada no The New York Times. Que a não merece.

 

Abaixo, outra imagem publicada no mesmo jornal. Mas o cão talvez seja um gato, e apesar de o Kim ser tão vaidoso como o Don, o Gugu e o Banban, juntos, são menos quezilentos do que o Bibi e por isso niguém se ofendeu.

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lançado às 08:55

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Editei hoje um postal publicado em Dezembro de 2019, Demos kratos ou demos cabo.

 

Não tenho o hábito de editar postais passado mais de um par de horas sobre a sua publicação, muito menos agora que as funcionalidades de edição funcionam quase tão bem no telemóvel como no pc. Quando muito, poderei corrigir, ao reler, alguma gralha que me tenha escapado.

 

Mas hoje fui obrigada a editar. A sacrificar o estilo para que a mensagem, antes tão clara, não fosse agora deturpada.

 

Tudo porque, posteriormente, muito posteriormente à publicação do postal, foi criado um movimento político com o nome Basta.

Qualquer que fosse a ideologia defendida, teria sempre alterado o postal. Porque me foi grito contra o divórcio entre o cidadão e o seu exercício da cidadania, contra a ausência de debate, contra o populismo... e contra o partidarismo como o conheço. Continua tão actual como quando o escrevi em Dezembro.

 

Mas há dias surgiu o Basta, e agonia-me perceber que durante algum tempo o meu postal pôde confundir quem o visitou. Porque tal movimento integra elementos que clamam exactamente o oposto daquilo que ali peço, daquilo que sempre defendi. Recuso qualquer associação a tal movimento. Recuso! Mesmo que seja uma associação linguística. Mesmo que resulte de uma apropriação permitida pelas liberdades de expressão e de associação, liberdades que integram o conjunto das nossas liberdades individuais e que alguns, senão todos, os integrantes desse movimento pretendem restringir. RECUSO!

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lançado às 22:59

Dumb'os que o fazem

por Sarin, em 29.04.19

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Vi o filme Dumbo teria os meus 4, 5 anos. Lembro-me da minha tristeza perante o desprezo que Dumbo sofreu às mãos de humanos e animais, recordo a revolta pela crueldade do director, revivo a sensação de injustiça por Dumbo ficar no circo que antes o havia desprezado. E a ternura, a imensa ternura entre Timóteo e Dumbo, entre Dumbo e a sua injustiçada mãe.

Dumbo ficou na minha lista de filmes preferidos, e ainda por lá está. Talvez também porque cedo preferi os de animais aos de princesas, mas certamente porque acordou uma diversidade de emoções que não recordo de outros filmes de infância. Dumbo e O Livro da Selva contribuíram para o meu desenvolvimento, para a minha percepção de justiça e injustiça, diferença e indiferença. Isso, e ter pais que respondiam às minhas perguntas, ter avós que me acompanhavam, ter uma família que me deixava sentir e pensar.

 

Agora Dumbo é censurado. Porque é racista, dizem. E quando digo censurado refiro-me não a veto de exibição mas a alteração, a cortes de edição. Censura pela própria marca que o lançou. Fascinante! Que se lhe seguirá, neste lavar da história que parece ter atoleimado atolado atirado para canto a inteligência dos responsáveis? Chegaremos a ver a Branca de Neve afro-descendente recusar a maçã por ser intolerante à frutose, ou a Gata Borralheira chefiar o sindicato das empregadas domésticas enquanto se enrosca em painéis solares porque energia limpa, chega-te para lá príncipe que agora não tenho tempo para ser frágil?

 

Não percebo se querem mudar a história, fazer história ou vender a história. [Quero dizer, percebo - mas achei que a frase tinha força...]

A Disney tem um negócio. Vive das vendas. Tem de agradar aos consumidores. Principalmente, tem de agradar aos grupos de pressão que determinam aquilo que querem os consumidores.

E os extremismos estão aí em todo o seu esplendor. Infiltram-se em todos os espaços vazios, até no oco das cabeças que não pensam. Porque a história são factos e interpretações; e se se podem alterar as interpretações, já os factos são intocáveis. E os factos mostram que os EUA da década de 40 eram racistas, que a Europa de 40 era racista. Portanto, qual o espanto com evidências de racismo em obras contemporâneas? Censurar filmes da época, vetar livros da época, é querer expurgar a história, a História, deixá-la bonita e agradável para não magoar. Prontinha a ser esquecida e repetida.

 

É muito mais fácil, limpo e inodoro eliminar o que ofende do que agarrar com ambas as mãos e enquadrar no tempo, mostrar o bom e o mau, deixar que a criança, que o indivíduo, sinta pergunte pense. Afofamos as histórias, amaciamos a História, só a contamos mais tarde em parte aos bocadinhos, desossados e mastigados para não engasgar...

Mas o algodão engana. E enquanto uns perdem tempo a reescrever o passado, outros há que aproveitam a borracha e vão tentando apagar-nos o futuro.

 

 

 

 

Nota: é provável que a imagem tenha direitos de autor. Da Disney, claro. Enfim, tenho um livro da minha idade que tem esta imagem mas não a frase "proibido copiar", se houver algum problema.

 

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lançado às 10:00

A um deus comprometido

por Sarin, em 26.04.19

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Não sei rezar, mas se soubesse não teria a quem.

Pela estupidez dos homens nenhum deus omnipotente poderia ser culpado, pois que nos teria dado o livre-arbítrio com que destruímos florestas mares ecossistemas em nome do santo antropocentrismo.

Mas como aceitar as vítimas inocentes dos cataclismos, homens que mais doem em meio à fauna e à flora que se despedaça mas renova? Não são eles quem mais polui quem mais explora quem mais destrói... mas são eles quem sofre as voltas e revoltas da natureza, deus nenhum para as acalmar para os proteger. Sobrevivem ou sucumbem pelas suas forças, não pela mão atenta às suas preces... e por isso, também, não sei rezar - se soubesse, rezaria a um deus injusto porquê?!

 

Talvez que deus seja a força que cada homem tem em si, que seja a esperança no abraço do outro? Se assim for, que deus os não abandone!

 

"Alguns distritos do norte de Moçambique estão a ser atingidos por ventos muitos fortes e chuva intensa desde o princípio da noite de hoje com a chegada ao continente do ciclone Kenneth"

 

 

 

Na imagem, a capela da missão de Molumbo em 1974 (fotografia tirada por um então jovem "ao serviço da Pátria")

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lançado às 07:00

Cravos e Centros comerciais

por Sarin, em 25.04.19

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Decorre uma petição pública para que os centros comerciais encerrem ao Domingo.

Ainda não me consegui habituar a esta mania de proibir ... há 45 anos conquistámos a Liberdade, ultimamente parecemos empenhados em usá-la para nos restringirmos.

Faço questão de não ir a centros comerciais ou a supermercados ao Domingo. Aliás, evito quaisquer compras ao Domingo. Opção minha. Não por dever de resguardo cristão mas por política social: todos temos direito ao descanso e ao gozo de tempo em família ou entre amigos. Quero-o para mim, faço ver com o meu gesto que o quero para os outros - nem o perceberão, mas as lojas que frequento sabem-no. Principalmente, eu sei porque o faço.

Há serviços básicos que, obrigatoriamente, têm de ser mantidos, e por isso entendo que a remuneração de tais serviços devia ser condigna à importância de tal obrigação, desde os funcionários dos piquetes dos serviços de água e saneamento aos auxiliares em hospitais lares de idosos orfanatos, de todos os que asseguram os serviços básicos  para a nossa segurança e conforto mínimo.

E, depois, há aqueles serviços que podem ser prestados e aqueles produtos que podem ser vendidos em qualquer outra altura sem prejuízo do consumidor, e que a liberalização permitiu que pudessem ser prestados e vendidos ao Domingo. Nada contra tal liberalização, usa quem quer. O problema, porque é realmente um problema, é que não presta o serviço quem quer, não coloca à venda quem quer.

Os grandes centros comerciais, pertença de grupos económicos vários, obrigam contratualmente as lojas a cumprir os horários por si estabelecidos, instituindo coimas para os faltosos e prevendo, até, a resignação de contrato em caso de incumprimento reiterado. As grandes cadeias comerciais, muitas delas franquiadas, terão facilidade de resposta, quer pela solidez da estrutura quer pela rotatividade de funcionários, muitos deles estudantes e recém-licenciados. As lojas independentes, quase  familiares, têm mais dificuldade em garantir a resposta: o seu lucro depende daquele ponto de venda, a sua margem diminui com os turnos que é obrigada a garantir e pagar, o seu orçamento não tem folga para pagamento de multas à entidade dona do centro comercial. Claro que estes lojistas podem optar por ter lojas fora de tais centros, mas nem todas as lojas têm boas localizações e nem todos os regulamentos municipais permitem horário livre ao comércio fora dos centros comerciais.

Então, qual a solução?

Talvez uma harmonização de regulamentos facilitasse a vida às lojas e às famílias. Ou talvez uma Lei da Assembleia da República, que obrigasse à liberalização dos horários em todos os municípios que acolham centros comerciais e que impedisse estes de lucrar com eventuais falhas dos seus inquilinos.

Depois, caberia às lojas definir os seus horários em função dos locais onde se instalassem, sem receio de multas e com liberdade para encerrar nos dias que entendessem.

Centros Comerciais abertos ao Domingo? Nada contra - desde que as lojas tenham liberdade para fechar se assim o entenderem, e desde que as lojas fora dos centros comerciais tenham liberdade para funcionar.

Continuo a pensar que o ideal seria não haver comércio de todo, as pessoas precisam de tempo para se ligarem a elas mesmas e aos outros... mas não tenho o direito de impor a minha visão da vida. No entanto, exorto-vos: pensem nisso como opção pessoal. O 25 de Abril de 1974 trouxe-nos a liberdade de expressão a liberdade de opção a liberdade de ser. Usêmo-las todas. Os mais pequenos actos são políticos, se assim os pensarmos.

 

Nota: Num pequeno inquérito de rua sobre este tema, um prestável cidadão manifestou-se contra o encerramento porque "gosta de passear com a família ao Domingo e se os centros fechassem não teria onde ir". Podia apontar a limitação cultural, a ausência de perspectivas e até o egoísmo na abordagem da questão, e daqui partir para a comparação da sociedade que somos hoje e da que éramos há 45 anos. Mas tenho mais que fazer, e de qualquer maneira já estou há demasiado tempo em frente ao monitor. Refiro apenas que, desde então, ganhámos muito, muitíssimo! Mas poderíamos ter ganho muito mais, assim não nos tivessemos demitido enquanto cidadãos. Pensemos nisto também.

 

Feliz 25 de Abril!

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lançado às 13:48

Um postal atrasado

por Sarin, em 25.04.19

Retomados alguns dos meus Passeios Frequentes, lia eu os comentários a um postal e sorri - um comentador contestava algo que, também a mim, me franzira o sobrolho. Lendo-o, recordei que havia escrito parecido algures. Procurei reler o meu postal, e descobri que deixara por escrever um outro postal que não podia ter ficado por enviar. [Por falar em poder, podia culpar os CTT mas, desta vez, não foi sua nem sequer a responsabilidade e, assim sendo, faço mea culpa]

 

O meu último postal no Rasurando - último por força das circunstâncias, não último de adeus - foi publicado no dia 19 de Março. Com esforço, teclei e demorei a teclar - publiquei-o, até, ia a escrita no segundo ou terceiro parágrafo, pois queria que saísse na newsletter desse dia... vergonhoso, eu sei!, mas após uma ausência de um mês, e sentindo-me melhor, não queria ficar fora da discussão.

 

O postal lá saiu, adejando algumas das muitas ideias que queria libertadas pois que as outras jazeram onde estavam, adiadas para postais que em breve escreveria... 

... mas não cheguei a escrever, como talvez possam ter notado. Nem sequer o postal de ligação ao Rasurando escrevi nesse dia.

Esta omissão resolve-se já. As outras, a seu tempo.

 

Enfim, a 19 de Março estrangulei a  primeira-dama e bati em velhinhos - ou crianças, vá-se lá saber...

Vão, vão ;)

 

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lançado às 00:24

Há 45 anos

por Sarin, em 24.04.19

... a preparação das tropas começou com esta música. 22h55, mais uns minutos e a Ditadura cairia às mãos de uns militares pouco graduados, talvez os primeiros militares da história mundial recente a fazerem uma revolução sem ficarem no poder.

No dia seguinte, os cidadãos cantaram livremente - e a música passou a ser outra. A revolução dos capitães saiu dos quartéis e o povo abraçou-a como sua. Tornou-a sua. O poder caiu mesmo na rua, e não se magoou.

 

Mas, lentamente, as novas elites políticas foram-na tornando delas, enrodilhando-se no poder como jibóias na presa, e hoje convido-as a cantar o que há 45 anos se ouviu a partir da Rádio Alfabeta, dos Emissores Associados de Lisboa:

 

"Quis saber quem sou!

O que faço aqui!

Quem me abandonou,

de quem me esqueci..."

 

 

A letra de José Niza e a música de José Calvário na voz de Paulo de Carvalho em 1974. Foi colocada no ar pelo jornalista João Paulo Diniz.

 

 

 

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lançado às 22:55

A mulher de César? não Moro aqui

por Sarin, em 24.04.19

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Pelourinho de Alfeizerão, cf. o Alfeizerense

 

 

"Sérgio Moro é um activista político disfarçado de juiz", diz José Sócrates.

"Não debato com criminosos pela televisão", responde Sérgio Moro.

Criminoso é "aquele que praticou um crime", diz a Infopédia.

"O código penal de 1940, que se encontra em vigor, não traz o conceito de crime consigo. A sua definição está na Lei de introdução do código penal (Decreto 3.914/41), no artigo 1º cujo texto considera crime “a infração penal que a lei comina pena de reclusão ou de detenção” diz o sítio Jus.Brasil.

"ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória", diz a Constituição Brasileira no seu artigo 5º.

Quod erat demonstrandum, diria talvez Arquimedes... ou apenas Eureka.

 

 

A Justiça é César e é a mulher de César, mas ou a mulher de César é Madame ou alguns juízes são Brutus, porque a Domus Justitia não é propriamente uma velha picota, e um juiz - que é juiz de outro país, onde julgou um processo com aparentes ligações ao arguido português a quem chama  criminoso, e que foi nomeado Ministro da Justiça em circunstâncias pouco claras - dizia eu que um juiz não pode ter o comportamento de um iletrado em praça pública. Ou assim pensava eu.

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lançado às 10:52

Barquito de papel

por Sarin, em 24.04.19

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Já escrevi e apaguei várias frases introdutórias... como falar com aqueles que têm visitado o blogue e não me encontram, e ainda assim voltam? Como agradecer esse voto de confiança, essa manifestação de interesse?

Tive saudades. Ou talvez tenha sofrido a ausência, tantas foram as ânsias de navegar o blogosfério e tão fortes senti as correntes de escrita... Cheguei mesmo a ponderar a revolta: pedir que me lessem o que por aí se escrevia, que escrevessem o que eu alinhava. Mas... há uma intimidade natural entre os meus dedos e o teclado, entre os meus olhos e o texto - e preferi a escuridão à semi-luz lançada por terceiros. Esta é uma relação só nossa, minha - mesmo que o corpo me falhe por vezes. Não troco.

Sei que andarei um pouco à deriva, as palavras entarameladas nos dedos e as ideias enrodilhadas no tanto que aconteceu entretanto... não sei se conseguirei escrever postais sobre o mundo que ardeu em Paris, o deus que morreu entre a Nova Zelândia e o Sri Lanka, a esperança que teima em não morrer em Moçambique, o inferno que vai deflagrando em quase todas as esquinas tendo como combustível qualquer coisa como comburente a intolerância-idiotia-prepotência nós as cinzas. A seu tempo abrirei algumas destas feridas, mas não agora. Agora vou tentar lançar o barco e deixar as ideias vogar a maré e a espuma.

A quem me continua a acompanhar, obrigada.

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lançado às 09:39

Obrigada por estar aqui.




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