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Sarin - nem lixívia nem limonada

Um blogue irregular onde ideias e desabafos podem nascer e morrer. Ou apenas ganhar bolor. Não faltava onde escrever e opinar. Mas faltava o blogue. Pronto, agora já não.

Sarin - nem lixívia nem limonada

Um blogue irregular onde ideias e desabafos podem nascer e morrer. Ou apenas ganhar bolor. Não faltava onde escrever e opinar. Mas faltava o blogue. Pronto, agora já não.

Cadelas apressadas parem cachorros cegos

SE

Margarida Martins pensa que imigrantes que votam em candidatos vencedores devem voltar ao seu país.... Tem todo o direito de o pensar.

Publicou o que pensa no seu espaço pessoal numa rede social... Tem todo o direito de publicar o que quer no seu espaço pessoal.

Eliminou o que havia publicado... Tem todo o direito de eliminar o que publicou.

 

MAS

Margarida Martins ocupa um cargo público. No âmbito do qual valida atestados de residência.

Foi eleita e representa os cidadãos da sua autarquia, entre eles naturais de outros países residentes em Portugal.

Por algum motivo que não divulgou, eliminou o que publicou mas não retirou o que publicou.

 

PORTANTO

Margarida Martins não se envergonhou por ter publicado um postal que contradiz a matriz democrata que clama ser sua.

Não se envergonhou por ignorar parte dos cidadãos perante quem tem de prestar contas enquanto autarca, já não falando dos seus concidadãos que residem por esse mundo.

Não se envergonhou por ter desprezado elementares regras de urbanidade, como pedir desculpa quando e onde se falha mesmo que incipiente se sinta a responsabilidade ou a gravidade.

 

 AFINAL

Como coube uma tão grande falta de vergonha num postal em tudo tão pequenino?!

 

ENFIM 

Não é a primeira vez que pessoas com responsabilidades públicas falam e publicam irreflectidamente, quantas  vezes para satisfazer a tão na moda urgência em partilhar com o mundo.

Mas há irreflexões mais graves que outras, e tanto os gestores da coisa pública como os cidadãos têm o dever de analisar calma mas amplamente o que dizem e escrevem publicamente, assumindo a responsabilidade de exercerem o direito e usufruirem da liberdade de expressão. No caso, as responsabilidades que são políticas.

 

Já é tempo de sermos responsáveis e exigirmos responsabilidade efectiva a quem formalmente a damos. 

Aleluia, Messias!

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(fonte da imagem aqui)

 

Desdenhou Belém do Pará e desceu em Brasília, derrotou o velho David, tentará o milagre da multiplicação das balas, promete 30 dinheiros pelos inimigos, deixará Pilatos de mãos sujas por lhe privatizar a Bacia e tentará ressuscitar o Regime, declarando apócrifos os escritos onde lhe chamam Ditadura.

 

Acho que é este o texto do novíssimo livro.

As eleições no Brasil e La Fontaine

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 (fonte da imagem aqui)

 

 

Tenho andado afastada... Reconheço que ultimamente me apetece mais comentar que lançar postais - falta de paciência para estar frente ao pc, noção de que o que quero escrever se torna moroso no telemóvel, enfim, cabeça a mil e mãos em velocidade de cruzeiro aportado.

 

Num exercício de preguiça activa, deixo aqui um comentário que encontrei sobre as eleições no Brasil e que é uma excelente súmula para aquilo que penso.

 

"(...) Era uma vez a cigarra que não gostava da formiga e votou no insecticida. No final morreram todos, até o grilo que se absteve."

(https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/o-acto-de-votar-10338886?thread=80593734#t80593734)

 

Isto a propósito de um postal de Alexandre Guerra no Delito de Opinião, sobre o qual manifestei o meu desacordo.

As bétulas também dançam

 

 

Berezka Ensemble

também conhecido como

Ballet Beriozka

 

 

Sobre a Dança

A berioska é uma dança erudita com inspiração folclórica de origem russa.

Distingue-se pela imobilidade do tronco, pelos gestos suaves de cabeça e braços, e pela sua mais conhecida e muito específica característica, o passo deslizante das bailarinas.

É dançada exclusivamente por mulheres, tradicionalmente com fatos longos para melhor manter a magia dos passos.

Deve o nome à árvore berioska, em português vidoeiro ou bétula, cuja beleza de porte e os movimentos suaves ao vento fazem lembrar a graciosidade e a beleza das bailarinas

 

 

Sobre o Grupo

Fundado em 1948 por Nadezhda Nadezhdina

Exige formação em bailado clássico, mas usa a essência das danças folclóricas

A maior parte dos bailarinos é captada do estúdio do Teatro Bolshoi, um dos mais prestigiados da Rússia e do Mundo

Desde a sua criação já fez várias digressões mundiais

Um crítico do Le Figaro escreveu "É melhor ver um espectáculo do Beriozka do que ler 200 livros sobre a Rússia"

 

Nos próximos tempos vou tentar partilhar porquê.

CR7 e Mayorga

Não queria comentar este caso... mas é realmente impossível.

Acho que muita gente nem conhece os factos, e nem os quer conhecer.

Defendem Ronaldo por ser craque, e defendem Ronaldo por ser português.

 

Bom, não seja por isso: a Maiorga também é portuguesa. Daqui do distrito, pertinho de Alcobaça...

 

 

Biblioteca Popular #1

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 (fonte da imagem aqui

 

Não, não é memória da Biblioteca Itinerante Gulbenkian, nem sequer sobre bibliotecas locais.

É mesmo um postal onde, porque as plataformas não me permitem a ligação como favoritos, passarei a guardar artigos de opinião e postais que considero merecedores de releitura e de espaço cá no burgo. Numa biblioteca aberta a quem vier.

Boas leituras.

 

* André Barata e Vera Tavares, #MeToo e todos nós

 

* Ângelo Fernandes, Cinco mitos sobre violência sexual contra homens

JMV: o veneno na hora da despedida

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(fonte da imagem aqui)

 

A procuradora corajosa que tantos queriam reconduzir, e que se recusou pronunciar-se sobre a possibilidade da sua recondução, escolheu o dia da passagem de pasta para dizer que a Constituição da República prevê a renovação do mandato do chefe do Ministério Público. Apesar de concordar com a não recondução, a CR e a lei prevêem dois mandatos, sublinha - e cada um entenda como quiser.

 

Pode Joana Marques Vidal ter toda a razão, e claro que tem direito a divulgar a sua opinião; mas teve meses para o dizer e fazer. Porque não o disse antes e acabou com os muitos rumores bipolarizados sobre a matéria? Talvez para evitar que lhe associassem o esclarecimento a uma demonstração pública de vontade em ser reconduzida? Se assim for, aplaudo-lhe a contenção e o cuidado em evitar inquinar o processo - mas, então, o que aconteceu a tal contenção e a tal cuidado que a levaram a mandar as boas intenções às urtigas e a opinar hoje? Logo hoje, dia em que abandona o cargo e a sua sucessora toma posse?

Legitima-se a pergunta: sabendo-se que quem mais defendeu a sua recondução foram os apoiantes de Passos Coelho, que a indicou, e que Lucília Gago foi indicada por Costa, não terá sido esta uma forma intencional de politizar a questão? Bastava ter dito antes "concordo com a não recondução embora a lei a permita", e as vozes ter-se-iam silenciado  em respeito ou morrido por falta de polémica. Mas pelo contrário.

 

 

Fazendo uma breve análise ao seu mandato, 

Fez história por ter tido a coragem e a determinação de afrontar poderes instituídos e assim ter provado que ninguém está acima da Justiça; é esta uma vitória da Democracia cuja responsabilidade ninguém lhe poderá negar e que acredito esteja na base das reivindicações de recondução;

Abundaram os super-casos, que embrulharam a justiça durante muito tempo e continuarão a embrulhar - há mesmo quem defende serem tais casos impossíveis de julgar dada a complexidade das interligações e que mais valia terem sido construídos casos menores; os sucessivos adiamentos e rebentamento de tudo o que eram prazos parecem dar-lhes razão; oxalá o futuro prove que não foi um erro, pois é fundamental que estes casos sejam devida e claramente julgados, por uma questão de higiene - e porque, já que de mandatos se fala, se forem estes mega-processos um erro, este recairá nas costas da actual PGR e não na de quem os instruiu;

Existiram processos de corrupção envolvendo ministros em funções que foram arquivados por expiração de prazo - justificados aparentemente pelas diligências com os casos de corrupção posteriores; supunha que na justiça se usava também a regra FIFO - First IN, First Out (o primeiro a entrar é o primeiro a sair) ou que, pelo menos, não se largavam processos de submarinos que lá fora dão condenações só porque cá dentro surgem outros processos envolvendo um ex-primeiro-ministro;

Existiu um processo envolvendo ministro e primeiro-ministro em funções que por cá não foi considerado crime mas na Europa quem de direito diz que sim, que foi, e que compete ao MP português diligenciar a acusação, o que obrigou a uma tímida e silenciosa reabertura do processo;

Existiram acusações a um clube desportivo que quem de direito na Europa diz não configurarem crime mas que por cá insistem em processar como tal; existiu até a criação de super-equipas para desvendar casos desportivos que aparentemente se mantêm nas mãos de quem os começou por investigar;

Existiram processos por quebras do segredo de justiça mas as diárias quebras de segredo de justiça ecoaram e ecoam pelos jornais e redes sociais em total impunidade, do desporto à política, das empresas às famílias;

Existiu uma tentativa de colocar a PJ sob a alçada directa de quem avalia as suas investigações e as arquiva ou dá seguimento, o que levanta algumas dúvidas sobre a isenção da investigação e análise de tais matérias;

Existiu uma não recondução que gerou muita celeuma, até fricção, pela bipolarização (bipartidarização?) da questão, e sobre a qual se escusou a responder directamente quando o podia ter feito, quiçá devia ter feito, evitando assim questões sobre a transparência dos motivos de cada um. 

E foi isto.

 

Foi melhor que os antecessores? Muito melhor! Perante a inércia, qualquer movimento é bom, e JMV teve muitos  movimentos que não apenas combateram a inércia mas que foram no sentido correcto, o da Justiça.

Tem as virtudes que lhe atribuem? JMV teve bastantes movimentos aparentemente em falso e nunca se explicou por nenhum.

 

 

E depois de se ter escusado a comentar a questão da sua recondução durante todos estes meses, entendeu que o melhor dia para o fazer seria exactamente aquele em que a sua sucessora toma posse.

Ainda bem que é considerada pessoa isenta e corajosa ou poder-se-ia considerar este um belo presente cobardemente envenado.

 

Adenda às 14h30

Li agora as palavras de Rui Rio sobre Joana Marques Vidal. Substancialmente diferentes das dos passistas.

Uma nota sobre muçulmanos

Da China chegam notícias ocasionais. Um negócio aqui, outro ali... mas da sociedade, nada.

 

E enquanto nada chega, vou lendo por quem conhece que a China está a dar a mão a África. E está a deitar a mão a África, também. Estratégia de uns, necessidade de outros, e tudo vai bem enquanto não se atropelarem.

 

Como atropelam agora em Xinjiang, região chinesa onde vivem os Uigur,  minoria étnica de origem turcomena e de religião muçulmana.

Para que abandonem a religião, são os uigures obrigados a frequentar "centros de treino vocacional", amparados por leis que lhes proíbem os usos e os preceitos, os obrigam a ver a rádio estatal e a frequentar a escola estatal, enfim, a serem chineses como "os outros".

 

No Mianmar também está em curso a aniquilação dos Rohingya, sem descanso dó ou piedade.

 

Da Arábia Saudita chegam notícias de quererem radicalizar o islão moderado que habita África, pressionando e perseguindo.

(Poderá a China, no meio do tal estender/deitar a mão, vir a fazer o mesmo e à semelhança do que faz dentro de fronteiras?)

 

Tento acompanhar tais movimentações, mas as notícias são escassas e as opiniões não abundam... No entanto, parece-me que os muçulmanos não são, como tantos dizem no Ocidente, "os maus da fita".

E... os que estão sob perseguição, muçulmanos ou não, são pessoas. Porquê o silêncio sobre elas?

SOS Tentar visitar antes que acabe

 
São como veias, serpentes
Os rios que trançam o coração do Brasil
Levando a água da vida
Do fundo da terra ao coração do Brasil
Gente que entende
E que fala a língua das plantas, dos bichos
Gente que sabe
O caminho das águas das terras, do céu
Velho mistério guardado no seio das matas sem fim
Tesouro perdido de nós
Distante do bem e do mal
Filho do Pantanal
Lendas de raças, cidades perdidas
Nas selvas do coração do Brasil
Contam os índios de deuses
Que descem do espaço no coração do Brasil
Redescobrindo as Américas quinhentos anos depois
Lutar com unhas e dentes
P'ra termos direito a um depois
Vem de um milênio o resgate da vida do sonho do bem
A terra é tão verde e azul
Os filhos dos filhos dos filhos
Dos nossos filhos verão
Lendas de raças, cidades perdidas
Nas selvas do coração do Brasil
Contam os índios de deuses
Que descem do espaço no coração do Brasil
Redescobrindo as Américas quinhentos anos depois
Lutar com unhas e dentes
Pra termos direito a um depois
Vem de um milênio o resgate da vida do sonho do bem
A terra é tão verde e azul
Os filhos dos filhos dos filhos
Dos nossos filhos verão
O futuro é tão verde e azul
Os filhos dos filhos dos filhos
Dos nossos filhos verão
 
Pantanal
Marcus Viana (Compositor)
Sagrado Coração da Terra (Intérprete)
Jair Messias Bolsonaro (Quer riscar o disco)

Se um agressor sexual faz uma vítima, o seu julgamento em praça pública faz muitas mais

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Uma vítima de agressão sexual não tem um padrão de comportamento.

 

Mas a sociedade, infelizmente, tem: são o preconceito, são as humilhações em esquadras, são as humilhações em hospitais, são as humilhações até em tribunal. Fora a devassa da vida privada levada a cabo nas redes sociais - da vizinhança ou da internet.

 

 

Cada vítima reagirá de acordo com a força e com o apoio que tenha para lidar com medos, inseguranças, humilhações, dores, e tantos outros sentimentos e consequências... Muitas poderão até desistir de acusações ou aceitar acordos por não terem força para aguentar tal exposição.

 

Curiosamente, é exactamente esta devassa, esta exposição - uma segunda violação da vítima - que permite aos oportunistas criar vítimas de falsas acusações.

 

 

(fonte da imagem aqui. de um postal que nada tem a ver com este mas que vale a pena ler)

Obrigada por estar aqui.

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