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Sarin - nem lixívia nem limonada

Um blogue irregular onde ideias e desabafos podem nascer e morrer. Ou apenas ganhar bolor. Não faltava onde escrever e opinar. Mas faltava o blogue. Pronto, agora já não.

Sarin - nem lixívia nem limonada

Um blogue irregular onde ideias e desabafos podem nascer e morrer. Ou apenas ganhar bolor. Não faltava onde escrever e opinar. Mas faltava o blogue. Pronto, agora já não.

Para fechar a semana: a Prata da Casa

 

 

Ele, Carlos Pinillos, formação em bailado clássico.

Ela, Filipa de Castro, formação em bailado clássico.

A música, clássica, O Quebra-Nozes de Piotr Ilitch Tchaikovsky.

A coreografia, bailado clássico, de Armando Jorge.

A ocasião, Espectáculo Teatro Nacional de São Carlos 21 Dezembro 2008 (Lisboa, Portugal)

Hoje apetecia-me estar de férias

Por isso vou desligar o Mundo durante um bocadinho...

... e enquanto o fiz encontrei um título apelativo na Lifestyle do Sapo:

 

"20 alimentos que nos trazem o máximo benefício quando ingeridos juntos"

 

Um título enorme e em maiúsculas... caramba, tinha que ler!

E li.

Uma apresentação que me deu vontade de ser dona-de-casa (a sério, uso produtos frescos mas nunca consegui aquele bom aspecto na minha cozinha; desconfio que o fotógrafo usou maquilhadora!), e uma explicação leve para suportar o porquê de tais uniões alimentares (algumas bastante pesadas).

Artigo interessante, apesar de o suporte científico destes artigos geralmente ser pouco; mas pelo menos mal não faz, algumas misturas são parte da nossa dieta mediterrânica - e lê-lo ainda pode dar ideias gourmet.

Nota: este meu tom jocoso não é pelo artigo! Brinco com o tempo que passa, a ver se passa mais depressa; e espero que o autor não me leve a mal. Embora eu ache mal publicarem artigos sem identificação de autoria, mas pronto, é com eles.

 

 

"Maçãs e chocolate"

Ia tudo bem até perceber que era chocolate preto... ou seja , nem deu para me crescer água na boca. É que, e lastimo dizê-lo, não gosto mesmo nada de chocolate preto; aliás, em miúda o chocolate que eu mais apreciava era aquele sucedâneo que sabia a sabão e uma tia comprava junto com os pyrexes e os caramelos em Badajoz e Ayamonte... quanto mais leite, melhor e até não saber a cacau. Nem a leite, já agora. Pronto, gosto da Maçã... e de chocolate da Lindt - que não me paga para fazer publicidade, mas é sempre bom informar o pessoal sobre estas coisas.

 

"Papas de aveia e sumo de laranja natural"

Gosto de papas de aveia. Isto é, gostaria se gostasse de leite. Assim, gosto da ideia das papas de aveia. Sumo de laranja natural com bolachas de aveia é capaz de ser como o sucedâneo de chocolate...  mas hei-de tentar fazer para alguém, depois digo se resulta. Se me lembrar. Se sobreviver...

 

"Carne de porco e couves-de-bruxelas"

A carne de porco está cotada em bolsa, os tipos de bruxelas controlam o euro... acho um pouco indigesto. Bolas, lá vem o Mundo! xôooooo!!!

Mas uma vez assei carne de porco com couves de bruxelas (e batatinhas) no forno, e gostei bastante. Não sei se terá sido pela rega que dei ao tabuleiro com meia garrafa de whisky e tâmaras, mas acho que não. Na dúvida, vou repetir e logo vejo.

 

"Tomate e figado"

... ... ... troco por pipis e moelinhas, e pago a próxima rodada.

 

"Salsa e limão"

Olh'á novidade... Sai uma dose de ameijôas à Bulhão Pato para o blogue do canto, sff!

 

"Vegetais e iogurte"

Certo... mas lixaram tudo quando me falaram de cenoura e aipo. Enfim, frutos secos são vegetais, frutos polposos são vegetais, por isso... ah, espera! iogurte? Há da Lindt?

 

"Abacate e espinafres"

Acredito, mas não sou eu que vou lixar o guacamole!

Mas talvez tente no esparregado...

 

"Chá verde e limão"

A sério que não é por clubite, mas não vou à bola com chá verde... nem com limão! Mas uso limão no chá preto, não sei é se tem o mesmo efeito; mas o sabor vale a pena!

 

"Tomate e azeite"

Cobertos por orégãos ou mangerona, sobre uma fatiazinha de queijo de cabra deitada em cama de pão alentejano... qual bruscetta qual caraças!

 

"Carne e rosmaninho"

Se faz bem não sei, mas que fica bom... quero dizer, não esquecer o vinho tinto. Usar a gosto, mas convém deixar um copito para regar a carne, quem amiza avigo é...

 

Com isto tudo deu-me a fome!

Bom apetite e cuidadinho com a saúde...

Surpresa do tamanho de um comboio

Nuno Melo deu uma mini-entrevista numa estação defendendo a privatização de segmentos da ferrovia para garantir a prestação do serviço às populações.

 

Caraças, então não é que me apanhou de surpresa?!

Garanto que nunca pensei ver na rua um político tão compostinho estando tanto calor - e em pleno mês de não campanha!!!!

Os eternos senhores do Pas de Deux

 

 

Ele, Rudolf Nureyev, formação em bailado clássico.

Ela, Margot Fonteyn, formação em bailado clássico.

A música, clássica, Giselle de Adolphe Adam.

A coreografia, bailado clássico, de Marius Petipa.

A ocasião, Gravação de Estúdio BBC 1962 (Londres, Inglaterra)

Por falar de prostituição, lembrei-me de lascívia... e da Eterna Carmen

 

 

Ela, Diana Vishneva, formação em bailado clássico.

A música, clássica, Habanera (Carmen) de Georges Bizet. Arranjos de Rodion Shchedrin

A coreografia, bailado clássico, de Alberto Alonso.

A ocasião, Mariinsky Opening Gala 2013 (São Petersburgo, Rússia)

 

 

ERRATA: Lancei o Postal durante uma pausa forçada na resolução de uma emergência.

Só agora, emergência solucionada, reparei na grande falha: a coreografia não é a de Roland Petit mas sim a se Alberto Alonso.

Para os arranjos que Rodion Shchedrin fez na pauta de Bizet - a percussão investe a música de uma outra energia.

Falha corrigida, resta apresentar as minhas desculpas - futuros postais em pausas, só de esplanada...

O fim do Princípio

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 (Original de Pawel Kuczynski. Fonte da imagem aqui)

 

 

 

 

Quantos de nós defendemos os Princípios e quantos de nós defendemos a simpatia, a empatia, a vivência própria - e só depois os encaixamos ou desencaixamos dos Princípios com um retumbante Mas?

 

Defendemos o direito à não ingerência num Estado autónomo e por nós reconhecido - mas aceitamos a ingerência de Estados terceiros desde que invocado o "apoio humanitário" ou a "intervenção cirúrgica". Mesmo sabendo que estas "intervenções" e "apoios" são geralmente uma máscara para intervenções em sectores estratégicos e apoios à colocação no poder de forças "amigas". Basta ver quantos apoios humanitários ficam por prestar e relacioná-los com o onde ficam por prestar.

E, antagonicamente, aceitamos tais ingerências desde que perpetradas por países amigos mas acusamos de ingerência os países que consideramos desalinhados com os nosso interesses. Não nos desencantamos com os alinhamentos, e o objectivo é cumprido.

 

 

Defendemos o direito à liberdade de expressão - mas ofendemo-nos quando expressam opiniões contrárias ou quando usam meios distintos para se expressarem, e invocamos a democracia para calar quem a ataca e olvidamos que a democracia não é universal. Nem sequer perfeita.

E, paradoxalmente, quem ataca a democracia acha-se no direito de invocar a liberdade de expressão para defender as suas diatribes mas apenas porque devolve o princípio defendido. Não tem legitimidade mas a devolução fere, e o objectivo cumpriu-se.

 

 

Defendemos o direito ao livre arbítrio individual - mas legislamos e moralizamos sobre a relação que o indivíduo deve ter com o seu corpo, com a sua morte, com a sua sexualidade, consigo, e invocamos a ética e a moral para sustentar tais legislações e moralizações, olvidando que a ética e a moral, tal como as leis, são estabelecidas por indivíduos.

E, absurdamente, argumentamos que um grupo de indivíduos não pode legislar a opção do indivíduo porque outro grupo de indivíduos estabeleceu regras morais para proibição do indivíduo. Não tem qualquer lógica, mas ainda assim o argumento é usado e o objectivo atingido.

 

 

O que nos define como Civilização são os Princípios, que subjazem aos hábitos e aos costumes.

Sinto que atingimos um tal grau que não somos já Civilização mas Contradição.

Talvez tenha sido assim em todas as épocas, mas esta é a minha e é a que me preocupa. O resto é História, e parece que não serve de ensinamento.

Prostituição não tem que ser um palavrão

[Explicação da etiqueta 'dois postais numa estampilha'

Em debate com outro bloguista (Pedro D. do iTUGGA) surgiu a ideia de ocasionalmente lançarmos postais simultâneos subordinados a um tema. Não combinámos nenhuma etiqueta especial - e aqui no burgo siga esta até melhor sugestão. Estejam à vontade para sugerir.

Na verdade, apenas acordámos o tema, nem sequer combinámos a abordagem ou a dimensão do postal. Ou postais: calculo surgirão temas para os quais #1 postal será mero aperitivo... A Prostituição é talvez um desses. E é o tema combinado para hoje.]

 

 

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 (fonte da imagem aqui)

 

 

Dizem que a prostituição é a mais velha profissão do mundo.

Talvez já fosse mais do que tempo de os profissionais do ramo pagarem impostos e terem segurança social...

 

Comecemos pelo princípio - não pelo início da profissão, que essa talvez date de quando Eva, a ameba, se tornou eucarionte a troco de uma malga de caldo primevo, mas pelo princípio que faz com que a prostituição seja considerada profissão e, no entanto, não conste na Classificação Portuguesa das Profissões do INE.

 

Todos sabemos que no princípio era o verbo, e o verbo "cobiçar" conjugava-se "não cobiçarás a mulher do próximo" - sem equivalente feminino porque os verbos são como os anjos e não têm sexo. Já as mulheres, essas, não tinham asas.

Não sei como o fizeram, mas daqui resultaram três outros verbos importantes:

O verbo "ter": "se a mulher não tiver próximo, posso cobiçar"

O verbo "ser": "sendo eu o próximo, à minha mulher ninguém pode cobiçar - nem eu se não me apetecer"

O verbo "marginalizar": "há mulheres que não podem ser de nenhum próximo senão estamos cobiçados"

... e como nenhum homem queria tais mulheres com andrajos sobre pele-e-osso, vá de lhes darem dinheiro para os alfinetes, pois sem terem próximo ficariam com uma mão à frente e outra atrás e isso não dava jeito nenhum para cobiçar.

 

Tal foi a importância atribuída a tais verbos que acabaram por atravessar o latim e o gótico e o árabe  e o leonês e o português com e sem acordos de 1911 e 1944, e continuaram a ser oficialmente conjugados até ao fim do Estado Novo -  o qual  estava decrépito para caramba e ainda assim tinha manias de puto fino.

 

Entretanto o léxico transformou-se, e do verbo passámos para o advérbio:

Obviamente que as prostitutas são cidadãs.

Sinceramente, a passearem-se na rua onde passam famílias!

Efectivamente as prostitutas são um risco para a saúde pública.

Nitidamente só têm o que merecem por andarem a vender o corpo...

 

'mentes a mais para tão pouco resultado... e a vocês não sei, mas a mim esta gramática chateia-me como tudo!

 

Antes de avançar aos pontapés, convém relembrar: as mulheres que vendem serviços sexuais são prostitutas, os homens que vendem serviços sexuais são prostitutos. Gigolo é mania de gente fina que desafina no português. E o plural, à semelhança dos outros plurais, faz-se no masculino. Prostitutos. Soa mal? É a bruta da gramática!

Voltemos ao tema.

 

Os prostitutos mais não fazem que vender um serviço em que usam o corpo. Como fazem modelos, como fazem actores, como fazem escriturários, como fazem médicos, como fazem professores. Até aqui, tudo igual.

São remunerados pelos serviço que prestam. Mas não declaram tal remuneração. Não porque fujam aos impostos, mas porque os impostos não estão pensados para contabilizar estes rendimentos. A profissão não está na tal tabela, lembram-se? Não pagam impostos, não pagam segurança social (não se ponham à tabela...) nem têm segurança social. Ou talvez tenham, mas não por esta profissão - ou talvez tenham, mas pela falta de uma profissão.

 

Todas as profissões têm especificidades. A prostituição tem algumas muito suas, mas que não são impossíveis de equacionar numa futura legislação: está quase tudo legislado. Basta os governantes serem governantes laicos do estado laico que somos e deixarem-se de moralismos hipócritas - quase todos os moralismos o são, mas este da prostituição... gruta que os pariu!

Os serviços que os prostitutos prestam implicam trocas de fluídos e, à semelhança de outras profissões onde tal acontece, os profissionais deviam estar sujeitos a apertadas consultas de Medicina do Trabalho (para protecção do trabalhador) em estreita articulação com o departamento de Saúde Pública da zona - que, neste caso concreto, deveria ser a entidade responsável pela aprovação das respectivas fichas de aptidão profissional. Para garantir isenção e, assim, a protecção do cliente. Claro que aqui se levanta a questão: e se o estado de saúde não permitisse aprovação? Pois, é também para isto que deveriam pagar impostos e segurança social: para terem baixa por doença, para terem subsídios por incapacidade, para terem reforma.

Sendo uma profissão de pleno direito, estariam estes profissionais, tal como todos os outros, obrigados a seguro de acidentes de trabalho e talvez a seguro de responsabilidade civil profissional - como tantos profissionais que trabalham com o corpo do cliente: médicos, esteticistas, professores e orientadores de educação física, ... Isto significa também que estariam sujeitos a maior escrutínio das condições em que desempenham a sua actividade, o que se traduziria em maior segurança para ambos, profissional e cliente.

Do lado da legalidade não é preciso muito. Até porque a prostituição não é crime, o crime está em obrigar à sua prática ou tirar dividendos da mesma sem ser prostituto.

 

Já do lado da sociedade... é um problema, este de não valorizarmos as profissões pelo benefício que representam efectivamente para a Sociedade mas pelo estatuto que conferem para a saciedade de alguns. E a prostituição tem às costas o tal peso dos verbos e dos advérbios...

E qual é a importância da prostituição? O sexo é uma actividade natural. Não é apenas praticada por casados, como sabemos. É muitas vezes praticada por casados mas nem sempre entre casados uns com os outros; e às vezes até é praticada por vários casados e solteiros em simultâneo. Enfim, as variantes são muitas e a cada um a sua - a relevância resulta de nem todos terem com quem praticar, ou com quem aprender; ou terem com quem praticar e saberem muito do assunto mas gostarem de variar; ou... na verdade, os motivos não interessam para determinar a relevância: há quem procure serviços sexuais e estes existem. Ponto.

 

Não se muda a sociedade por decreto - ainda que o Estado tenha que dar o exemplo. Criando condições para que os prostitutos possam ser cidadãos de pleno direito com profissão reconhecida e regulada, com direitos sociais e deveres fiscais; para que ninguém os possa voltar a acusar de serem os marginais que actualmente são por falha do Estado. O resto é educação: sexualidade, cidadania, ética e moral.

 

Mas.... há muitos indivíduos a prestarem serviços sexuais pagos pelo cliente que não são, não podem ser chamados de prostitutos: forçados a prostituirem-se não são prostitutos, são escravos.

E um escravo não é um profissional, é uma vítima. Que não cabe neste postal mas terá direito a postal próprio em breve.

 

Quem declara 3 dias de luto pelo Mundo?

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(fonte da imagem aqui

 

 

 

Kofi Annan morreu.

 

Era um Cidadão do Mundo.

O Mundo devia colocar todas as bandeiras a meia-haste. Porque o Mundo perdeu um dos que lutava para que o mundo fosse todas as bandeiras desfraldadas. O mesmo Mundo que segue de bandeira invertida...

Paradoxo do silêncio

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 (fonte da imagem aqui)

 

 

 

Do que tenho lido, a maioria das gentes que se têm manifestado em blogues acha que não se deve receber Marine porque, além de lhe dar palco para difundir a sua mensagem de ódio, não haverá argumentário que demova as suas políticas.

 

 

É aqui que entendo residir a falha: acharem que, no diálogo, quem importa é Marine ou os Nacionalistas. 

Não! Quem importa são os hesitantes, os distraídos, os atraídos pelo discurso eivado de aparente preocupação social. Os órfãos de segurança e os abandonados à dúvida.

São estes que têm de ser dissuadidos, esclarecidos, alertados.

 

Marine e os seus correligionários têm todas as certezas e todas as respostas imediatas com soluções imediatas para problemas imediatos - e têm a sua crença, portanto são inamovíveis.

 

Porque os problemas são profundos e transversais, as soluções não são nem imediatas nem definitivas. Por isso exigirem negociação, por isso demorarem, por isso serem meias respostas. Fracas respostas, até, porque o equilíbrio é infelizmente ténue.

Quem hesita, quem receia... quer respostas, quer medidas. E vê ou é levado a ver os ensaios de resposta como se incapacidade... ao mesmo tempo que não vê ninguém a assumir, ninguém a discutir as fraquezas dessas respostas e os seus porquês - ninguém a identificar e a arrostar com as nossas responsabilidades para podermos avançar para as soluções.

E ainda recusam debater com quem aparentemente tem todas as respostas! Aparentamos medo perante quem usa o medo como arma...

Os Nacionalistas agradecem; no lugar deles, rejubilaria: é uma questão de tempo. 

 

Porque enquanto nos manifestamos para que Marine não venha - não vá - não seja, Marine sem falar chama a si os órfãos e os abandonados.

 

 

Obrigada por estar aqui.

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