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Sarin - nem lixívia nem limonada

Um blogue irregular onde ideias e desabafos podem nascer e morrer. Ou apenas ganhar bolor. Não faltava onde escrever e opinar. Mas faltava o blogue. Pronto, agora já não.

Sarin - nem lixívia nem limonada

Um blogue irregular onde ideias e desabafos podem nascer e morrer. Ou apenas ganhar bolor. Não faltava onde escrever e opinar. Mas faltava o blogue. Pronto, agora já não.

Venham mais 5?!

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E foi o debate sobre morte assistida... se fosse sobre fertilização assistida caberiam em São Bento??

 

É que, e apesar de o controlo de pragas aparentar estar bem melhor, ainda assim parece que 5 baratas furaram o cerco para votar no projecto do PAN... infelizmente não foram suficientes.

 

Dá-lhes, Zeca! P'rá próxima venham mais 15.

 

 

 

Não passou, mas o debate está para ficar

A legalização da eutanásia não passou.

Faltaram 6 votos à proposta do PS, a mais votada, e 14 à do PAN, a menos votada. As outras duas ficaram a 12 votos da aprovação. Esteve quase.

 

Mas abriu-se a sociedade ao debate, e devemos mantê-lo em cima da mesa. Morte Assistida e Cuidados Paliativos. 2 aspectos da vida que não podem nem devem ser pensados como mutuamente exclusivos.

 

Que tal começarmos por distinguir eutanásia como uma das formas de morte assistida?

O termo eutanásia só deve ser aplicado ao ser humano porque apenas o ser humano pode expressar vontade de morrer. Os animais têm morte assistida. Não confundamos.

 

Noutro plano, que tal perceber que cuidados paliativos não têm obrigatoriamente que passar por internamento em centros de cuidados continuados? E que talvez haja  terapêuticas complementares que devam ser levadas em consideração?

 

Temos também que falar do SNS e de outros sistemas de saúde. Melhor operacionalização e maior financiamento do SNS, articulação com outros sistemas e quais...

 

 

Enfim, o debate recomeçou.

E agora é a doer - a angústia aumentou, tivemos a morte ali tão perto...

Influências nipónicas???

Percebi finalmente a estratégia para a tão afamada reestruturação financeira desenvolvida por BdC: Yubari.

 

 

 

Nota de rodapé:

Brincar com BdC, gozar mesmo o pratinho, é aproveitar as figuras que BdC faz e as tonteiras que diz - não é, nem por um minuto, gozar com o Rival SCP.

Se algum Sportinguista se sentir lesado pelas minhas palavras, que se sinta então magoado por ter apoiado as figuras e tonteiras que refiro.

trago no sangue um poema

Trago no sangue um poema.


Não tem rimas, nem estilismos
- mas tem maneirismos!


Por métrica,
a dos dias vivos e das horas mortas,
esparsas e soltas…

 


Não é poema erudito,
nem poema popular.
Não se declama, não é dito
e não se pode cantar.

 


Mas é meu,
nasce em mim e em mim corre.
E por nome tem a chama que me aquece,
a força que me move.

 


A verdade?
Trago no sangue um poema:
a minha vontade

 

(data não registada)

sem meias-tintas


Se te der o melhor de mim… haverá sempre o pior.

Nunca me darei inteira.

Nunca me verás completa.

 


Prefiro dar-te o que sou.
O bom e o mau
- o radiante e o r
Mas sem sombra, sem projector,
sem jogos de luz.

Sem efeitos de cor,

dou-te todas as tintas da paleta em que me pinto.
Não para me desenhares,
colorindo à tua imagem os meus traços mais difusos…
Não para me completares,
preenchendo contigo os meus espaços em branco…
Dou-te as tintas, a luz e a sombra,
dou-me completa,
para que me vejas inteira
e me aceites absoluta.

 

(2010)

E quando em viagem choquei comigo, foi assim

Estava muito descansada a deliciar-me com o primeiro petisco da minha ementa diária, e deparei-me com um "À Sarin" assim mesmo, solto e vermelho no fundo branco do postal da frente.

 

(Para situar melhor, pelo menos um dos cozinheiros que diariamente me alimentam vai estar na Feira do Livro de Lisboa a assinar livros gourmet e eu tenho perguntado quando, porque já que vou fazer 300km entre ida e volta, pelo menos que o(s) apanhe por lá...)

 

Ao ver tal postal, pensei "Boa! Horários da Feira, com dedicatória e tudo!" e, esperando dar de caras com os desejados horários, disse mal do Safari por ter ido parar em cheio a um texto meu cujos comentários moderara pouco antes. Andei para trás (aquelas setas dão mesmo jeito!), voltei ao Delito de Opinião e ao postal onde estivera, reli aquele "À Sarin" e li o título: "Ligação Directa, por Pedro Correia".

"Hein?! Mas... é uma ligação ao meu mouleskine electrónico!"

 

Pois... aqueles cozinheiros do Delito de Opinião destacaram um texto do meu mal cozinhado blogue - quero dizer, não foi um texto, foi O texto mais aromático que tenho para estes dias em que discutimos se o direito à vida inclui ou não a morte; e isso vale todos os agradecimentos que eu possa dizer, pensar e desejar, e que sendo muitos serão insuficientes!

 

 

Mas foi uma surpresa.

Foi também um bocadinho de vergonha, já que pouco cuidado tenho com o blogue e ainda só descobri 1/3 das possibilidades de configuração (quero dizer, espero que só faltem 2/3!) 

E foi uma honra que me obriga a que eu seja mais assídua na minha casa, acostumada que estou a viajar por aí... não vou receber com bifanas da semana passada quem vem recomendado pelo melhor restaurante do país. (Obrigadinha, hein?!)

A sério, Obrigada.

 

 

 

Nota: amanhã/logo sento-me ao pc e edito este texto com as respectivas ligações; o telemóvel não está a querer colaborar.  Já está (editado às 15:20 de 26 de Maio de 2018)

BdC aposta em nova modalidade?

Tenho pena do SCP.

Mas Bruno de Carvalho, muito antes desta crise, colocou-se a jeito. Esta notícia é que só me surgiu frente aos olhos agora, e lamentando o estado do SCP, este postalinho tem estado a chatear-me para ser escrito...

 

Notícia de última hora

BdC, alegadamente, terá passado parte desta semana a estudar uma nova aposta nas modalidades.

Uma recente modalidade híbrida de surf e dressage surgiu há menos de um ano na Nova Zelândia, na sequência das fortes chuvadas que assolaram Dunedin em Julho de 2017.

De forma a maximizar os recursos disponíveis, e tendo BdC falado diversas vezes em dar o corpo às balas, desconfia-se que esta poderá ser uma excelente aposta. Afinal, não precisa de grandes recursos, bastam equipamento, atletas disponíveis e o apoio dos adeptos.

 

Não há que enganar: Surf-dressage à moda do leão.

 

Ainda sobre a Eutanásia

Tenho lido muitos artigos de opinião sobre a eutanásia. Escrevi muita coisa, aqui e em comentários em blogues ou em jornais por aí (nestes, via Disqus)

 

Contra, há muitos artigos e não preciso de os divulgar.

A favor, escasseiam - e por isso resolvi compilar por aqui alguns daqueles que acho mais pertinentes. E ainda apresento um estudo.

 

Já agora, não tenho qualquer interesse em apresentar todos os pontos de vista - estou a defender uma bandeira.

 

A minha morte é um assunto meu (Patrícia Reis)

Sobre morte assistida (Ana Matos Pires)

A eutanásia e a nossa integridade moral (André Barata)

 

Eutanásia, sim. Não nos façam suplicar...

Vejo as hostes agitadas com o novo papão que aí vem, a grande questão fracturante deste ano: Eutanásia.

 

Ocorrem-me duas grandes questões nesta matéria:

1. Para ser fracturante seria necessário que se discutisse. Mas apenas vejo a) certezas nos que a imoralizam e b) dúvidas nos que a defendem - dúvidas por exemplo com a posição dos Bastonário e Ex-Bastonário da Ordem dos Médicos que parecem querer travar com o código deontológico aquilo que na Assembleia estão com vontade de deixar passar.

 

2. Porque insistem alguns sectores da sociedade em querer referendar matéria de direitos e liberdades individuais e não se preocupam com a regulação da coisa comum.

 

Hoje fico-me pelos direitos e liberdades individuais. E respondo aos dois pontos em simultâneo...

 


O meu corpo é meu. 

É meu para o prostrar nos altares que entender; para o deitar nas camas que eu fizer, quando e com quem me apetecer; para fazer e parir os filhos que eu desejar e conseguir; para o desligar quando eu quiser.

 

Vivemos em sociedade, é certo, e as nossas acções afectam os outros – a saúde pública, a demografia e a segurança pública à cabeça, do lado do Estado; as emoções e as interdependências, do lado das Famílias.

E ainda assim somos um conjunto de corpos individuais que pensa e sente individualmente mesmo que em grupo.

 

Mas estou a falar de me permitirem fazer o que quero ao meu corpo. Ao meu corpo vivo, ao meu corpo morto e ao meu corpo assim-assim. À minha vida, a mim!

Não de obrigar os outros a fazerem o que eu quero ao corpo deles, à vida deles, a eles. Não de obrigar os outros, definitivamente NÃO!

 

Quando fiz o meu Testamento Vital preenchi o formulário no local, fui entrevistada, identificada e assinei. Voltei à Delegação de Saúde para o voltar a preencher: entre as minhas instruções várias, não me autorizaram a instrução para me desligarem a vida, só autorizaram desligarem-me máquinas.

O facto de eu, lúcida e na plena posse das minhas faculdades, não poder dar todas as instruções que queria deveu-se a um abuso legal: o Estado não manda no meu corpo vivo nem manda no meu corpo morto, mas manda no meu corpo moribundo independentemente do meu desejo. Se eu, lúcida, posso decidir tudo – incluindo o que fazem ao meu cadáver e aos meus órgãos e aos meus bens – porque tenho que deixar o limbo nas mãos dos meus familiares ou do acaso?! Só porque aos meus concidadãos lhes dá para sentir de forma diferente?! Eu quero decidir por mim e preferia não ter que decidir por ninguém: é doloroso, é devastador, é violento.

 

Entretanto aproxima-se a data de revalidação do meu Testamento – podemos mudar de ideias a qualquer momento, e para o caso de nos esquecermos de o registar, de cinco em cinco anos temos que renovar os nossos desejos. Está quase na altura de o meu ser renovado, e espero desta vez poder deixar os meus desejos registados.

 

Caramba, se há processo cuidado que exija atenção e certeza é este!
Se alguém se sente inseguro ou se recear mudar de ideias quando chegr a hora da verdade, então nitidamente esse alguém não deve fazer um Testamento Vital - apesar de o Testamento permitir deixar algumas ou todas as decisões à família...

 

Porra, e é uma pessoa destas que em sede de referendo querem pôr a decidir sobre o fim da minha vida?!

 

Sobre os médicos e enfermeiros: senhores Bastonários, objectores de consciência sempre houve. Anjos da morte também. Que tal aligeirarem o fardo e clarificarem o papel do eutanasiador – não é um homicida, é um profissional de saúde que atende aos desejos devidamente expressos pelo seu doente já não paciente. Comecem por rever o Código, caso seja aprovada a Eutanásia – manter determinadas expressões será contraditar a lei em cada leitura, e invocar a nulidade do parágrafo para “tornar desnecessária qualquer alteração” é manobra nada inocente por parte de quem assumidamente objecta a eutanásia. Haja decência!

Deixem os nossos bebés em paz...

Há notícias que me espantam por serem notícia. Não porque conteste o trabalho do jornalista mas porque o facto noticiado é absurdo.

 

Perante tal, questiono-me: devo contestar, ecoando assim o absurdo e dando-lhe mais um meio de projecção (vale o que vale) ou é melhor simplesmente ignorar e deixar a outros a função de debater (ou apenas abater) tal notícia, tais notícias?

 

Não sou jornalista, não sou justiceira... mas, caramba, há factos que ofendem a minha sensibilidade e a minha inteligência! Factos que não me espantaria encontrar em algumas terras dos EUA profundo, por exemplo, onde o ensino ministrado em casa aliado a abusos em nome da liberdade de culto podem eternizar resistências várias a outras interpretações que não as instituídas na comunidade. Certamente haverá exemplos destes em África, na América, na Ásia, na Europa e na Oceania, não se pense que acredito ser um exclusivo de alguns norte-americanos do Tio Sam.

 

O obscurantismo nasce e propaga-se enraizado nas certezas incontestáveis sem qualquer base científica - matéria de fé, de crença, portanto; e não necessariamente relacionada com um credo. E se não discuto as fés de cada um, permito-me questionar a matéria que as suporta. Por outro lado, o obscurantismo alimenta-se do silêncio, da não contestação - e chegada aqui acabo por descobrir a resposta para a minha dúvida inicial.

Suponho que as teorias da conspiração nascem exactamente neste meio-espaço entre o evitar o obscurantismo e o não divulgar toda a informação... como se os seus criadores precisassem desesperadamente de respostas. No fundo, a mesma necessidade que conduziu às várias religiões da Humanidade.

 

E depois, temos em Portugal, um País civilizado, com ensino obrigatório, com acesso não controlado à informação, onde a ciência tem espaço lado a lado com a religião... temos em Portugal, dizia eu, gente que, fazendo tábua rasa da genética e confundindo características somáticas com esta, gente que representa os seus concidadãos e que cria ONG para 

isto.

 

 

 

A evolução passou-lhes ao lado? Não tiveram aulas de Biologia? Ninguém lhes explicou a diferença entre fenótipo e genótipo e as regras básicas da hereditariedade?! Caramba, estas são perguntas de retórica - o nosso ensino não é assim tão mau!!! 

Obrigada por estar aqui.

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