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Latim latão

por Sarin, em 17.06.19

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PQP é o reverso do Quid Pro Quo.

Cui bono, certo?

 

Vem este latim latão a propósito de nada. Ou talvez de tudo e eu apenas precise de férias.

 

 

 

imagem, Cavalo de Tróia, recolhido no A Filosofia Está no Ar

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Pois não sei se

<<as notícias publicadas contra ele servem para desviar as atenções de “pessoas que cometeram crimes e abusaram de um sistema (...)">> 

mas tem toda a razão ao dizer deste sistema

<<"que, sobretudo até 2008, concedeu à supervisão bancária poderes legais limitados e assentou numa excessiva confiança na gestão privada dos bancos e na pretensa autorregulação dos mercados financeiros”>>

Isto diz Vítor Constâncio no jornal Expresso sobre processar o jornal Público, noticia o Jornal Económico

 

1. Acho muita graça a este excesso de jornais, noticiar num o que alguém diz noutro sobre um terceiro.

Por outro lado, a declaração de intenção individual, o "ir fazer", já foi elevada a categoria de notícia. Por antecipação da dita, suponho. Resta-me o consolo de saber que, se entretanto o protagonista mudar de ideias, estarei a braços com a pertinente dúvida de ter isto sido ou não uma fake news; e, não mudando, com a desconcertante certeza de que os mesmos jornais publicarão uma notícia que, afinal, já não o é.

 

2. Não acho graça nenhuma a estas sanhas persecutórias que analisam o passado exigindo-lhe mecanismos que então não existiam.

Nada de confusões: a inexistência dos mecanismos deve-se aos mesmos agora auditados tanto quanto aos, senão os mesmos então primos (mas não inter pares), auditores. Não invalida a sua responsabilidade, apenas a reflecte noutro ângulo da mesma questão.

Fossem os senhores deputados tão diligentes a balizar os objectivos das leis como são os advogados a avalizar as letras e os créditos, e não apenas lhes seriam mais fáceis as audições como, até, desnecessárias. Porque, entretanto, a banca continua assaz desregulada e as comissões parlamentares de inquérito já fazem parte do rico anedotário nacional.

 

3. Desconheço os pormenores da trama entre Constâncio e o Público. Reconheço apenas a constância da coisa: nós, público, seremos sempre os tramados. Talvez porque nos mantenhamos isso mesmo, público, desengraçada assistência, e desgraçadamente não assistamos à coisa pública quando precisa de nós.

E tu, onde estavas?

 

 

 

imagem em Boho Weddings & Life

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Por mais que tente, não percebo. Não consigo perceber esta navegação à vista - no caso, à lupa. Não consigo perceber e não pretendo conformar-me, aceitar esta forma de (não) pensar e legislar.

 

As beatas são um sério problema de poluição? Segundo os indicadores, caem ao luso chão 7000 beatas por dia. As quais, entre desfearem o espaço e acabarem em microplásticos na circulação de um qualquer ser vivo, durante 5 anos se amontoam e libertam muitos e variados tóxicos parcialmente retidos nos filtros. Portanto, sim, as beatas são um caso sério na gestão de resíduos e que vai muito além da poluição visual à qual tantos as tentam remeter. 

Mas, e concordando com medidas especiais para o seu tratamento, precisarão de lei específica para o seu controlo? Reparem que falo em controlo, porque é apenas disso que trata a lei hoje aprovada. Não poderiam inserir estas medidas - e outras bem mais importantes - numa lei geral sobre, por exemplo, tratamento de resíduos sólidos urbanos (RSU), cuja revisão já tarda? Estou a recordar-me dos resíduos hospitalares, que tantas dores de cabeça deram a produtores animais, por exemplo... e, no entanto, nos RSU continuamos a depositar pensos higiénicos e pensos medicinais e fraldas descartáveis, apenas para nomear alguns resíduos potencialmente contaminantes biológicos. Ir-se-à legislar mais tarde para cada um destes resíduos? Com multas mas sem criação de circuitos específicos de recolha e tratamento, estes sim urgentes e sem os quais tudo o mais não passará de fogo-de-artifício - tal e qual como no agora caso das beatas?

 

Esta especificação no legislar vem pesar na percepção dos deveres, vem dificultar posteriores revisões de legislação na matéria, vem avolumar o edifício legal com especificidades mais adequadas a regulamentos municipais exactamente porque ineficaz e ineficiente o Estado na promoção dos tais circuitos.

E, sendo esta lei tudo o que acima disse, é também um exemplo perfeito do que noutras intervenções venho dizendo: não se pensa o todo, não se analisa multidisciplinarmente, não se legisla de acordo com um programa. Ficam-se, muito particularmente o PAN fica-se, por remendos. Importantes, sim, mas que nada adiantam numa desengraçada desgraçada esgarçada manta de retalhos, também eles esgarçados, que ninguém tenta substituir. Pois acredito firmemente que estes remendos, bem-intencionadas soluções imediatas, em muito contribuem para a não resolução dos problemas de fundo, diagnósticos assim adiados porque tecnicamente remendados, e remediados seguimos. Nota-se uma muito recorrente ausência de plano, de estratégia nacional... e um atroz abusar da liberdade de proibir, caramba, já me enjôo com estas minhas repetições! Enjôo-me eu e enjoa o Ambiente, sempre nas bocas do mundo mas na sarjeta das políticas.

Será apenas sinal dos tempos, suponho, pois se já da CEE nos vinha a mania de legislar o formato e dimensão dos vegetais e agora da UE nos chegam as proibições palhinha a palhinha, porque ficaria São Bento indiferente à moda do pensar pequenino?

 

Enfim, confesso que ainda tinha a esperança de que os nossos deputados pensassem. O Ambiente, quero dizer.

 

 

 

imagem colhida no Crónica Bipolar

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Há uns dias, no Postal sem pressa, falei das vítimas esquecidas em nome de outras vítimas mais recentes, e mencionei o algum abrandamento nos esforços de reconstrução em Moçambique após as passagens consecutivas dos ciclones Idai e Kenneth, ideia reforçada pelos testemunhos constantes na notícia inserida numa das ligações.

Hoje deparei-me com a notícia de que Moçambique não recebeu ainda um terço das verbas orçamentadas na ONU, o que compreendo - entendo que as verbas devem ser libertadas gradualmente sob pena de, num cenário de crise como o vivido, não haver controlo suficiente e ocorrer desperdício ou desvio. Por outro lado, acredito que tal libertação não será aleatória, mas devidamente articulada com as intervenções no terreno. E desejo que o tempo prove que esta frase não resulta de ingenuidade mas de esperança.

 

Quase simultaneamente, deparei-me com um postal no qual jpt fala do estado crítico de uma capela em plena Ilha de Moçambique. E onde digo uma, devo esclarecer, conforme faz o autor:

* Tratar-se da primeira igreja cristã no Índico austral, com perto de 500 anos;

* Ser o único edifício manuelino naquela região moçambicana, talvez até em toda a África austral.

 

A reposição da normalidade, a recuperação do modo de vida, é também um esforço emocional e intelectual, não apenas biológico, e os símbolos revestem-se de especial importância. As obras são também parte da humanidade que se pretende preservar, embora perante a emergência, vital, haja dificuldade em perceber ou aceitar urgências que não claramente de sobrevivência. Mas Notre Dame de Paris provou-nos recentemente que não terá tanto a ver com as urgências mas com a sua divulgação junto da chamada opinião pública e, especialmente, nos meios onde se encontram  autoridade e financiamento. A tal fama, a pesar quase tanto como as importâncias histórica e artística.

 

Abaixo insiro fotografia e transcrevo frases do postal " A capela manuelina da Ilha de Moçambique", que pode ser lido integralmente no blogue O Flávio.

 

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"Este é o actual estado da Capela da Nossa Senhora do Baluarte na Ilha de Moçambique, devastada pelo ciclone que assolou a região no final de Abril. (...)

Não creio que o Estado moçambicano possa, na actualidade, repará-la. (...) as urgências e as emergências são gigantescas e os recursos muito escassos.(...) a história da Ilha, pelo menos de XVIII para a frente, é a das constantes reclamações do estado arruinado das edificações – crises económicas, abalos na administração, guerras. E, acima de tudo, as intempéries. (...)

Em 1996/1997 esta capela estava em muito mau estado, tal como toda a “cidade de pedra-e-cal”. A Ilha havia sido proclamada Património Mundial pela UNESCO e houve alguma atenção sobre os edifícios. Em Portugal, a Comissão Nacional para a Comemoração dos Descobrimentos Portugueses (...) promoveu a reabilitação desta capela, devido ao seu estatuto histórico e ao seu simbolismo. A intervenção não foi muito cara (...) com utilização suficiente de mão-de-obra local. Eu sei que os tempos são diferentes, que há menos disponibilidades financeiras no Estado português.

(...) espero que haja nas autoridades portuguesas pessoas com a suficiente atenção para Moçambique e para a questão do património cultural tangível para disponibilizar a ajuda necessária para uma intervenção nesta capela, de importância única. E que o Estado moçambicano possa e queira acolher esse contributo."

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Perguntas de palavras feitas

por Sarin, em 06.06.19

Há verdades insofismáveis. Que na rede se encontra de tudo, é uma delas.

Também nos canais noticiosos e de opinião se encontra de tudo: dos que escrevem para os outros aos que escrevem para si, dos que pagam as contas com a escrita aos que gastam dinheiro para escrever.

Quando leio alguns desses tudo, há perguntas que me são recorrentes e que por vezes lhes coloco, no momento em que leio ou debato. Quando o locutor me merece continuidade. Outras, guardo-as por ausência de forma ou porque desperdício de tempo. Estas vão-se revestindo por leituras várias enquanto eu esperançosa que se dissipem - nada muda antes piora, e as perguntas ali, cheias de camadas de si mesmas ganhando dimensões alarves. Até que um dia as liberto, deixando espaço para outras. Invariavelmente, as mesmas...

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Director de jornal, porque permites comentários em notícias?

Esperas que alguém exerça contraditório numa caixa de comentários?

Desejas que quem lê ateste ou complemente os factos?

Ou apenas suportas os comentários porque a isso és obrigado, like it or not?

 

 

Jornalista, porque fazes notícia das notícias dadas por outros?

Porque não pesquisas notícias tuas ou não acrescentas pertinência ao que outros já escreveram?

Desde quando te conformas com ser um mero e mau tradutor de notícias de "lá de fora"?

Quando te darás ao trabalho de investigar factos que qualquer um pode cruzar, evitando assim publicar informação desconexa e até contraditória?

 

 

Colunista ou bloguista, porque não indicas fontes para os dados que avanças e sobre os quais escreves como se factos?

Porque insistes em validar a tua opinião com os galões de que te ufanas em vez de usares argumentos que a sustentem e que a definam como tua?

Porque escreves como se a Língua Portuguesa não fosse digna de respeito?

Porque tens caixas de comentários se não interages com os comentadores?

 

 

Comentador, porque insistes em escrever o que te apetece e raramente sobre o abordado por quem te deu espaço?

Porque presumes e peroras sem conhecimento, sem empatia, sem respeito?

Porque te permites evidenciar uma quase nenhuma civilidade atrás de um anonimato que te não isenta de responsabilidade?

Quando deixarás de verter ódios pessoais e frustrações globais num espaço criado para diálogo e que acaba por ser usado apenas como medidor de visualizações?

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Palavras da Rainha Isabel II

por Sarin, em 04.06.19

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Há ano e meio que aguardava as palavras da Rainha Isabel II sobre o Brexit.

Surgiram ontem no discurso de recepção a Donald Trump, uma mensagem com vários destinatários:

"(...) After the shared sacrifices of the Second World War, Britain and the United States worked with other allies to build an assembly of international institutions, to ensure that the horrors of conflict would never be repeated. While the world has changed, we are forever mindful of the original purpose of these structures: nations working together to safeguard a hard won peace.(...)"

 

Se no seu discurso a Rainha era protocolarmente obrigada a mencionar as ligações históricas e comerciais entre os Estados Unidos da América e o Reino Unido, nada que não a vontade incluiria no discurso a importância das instituições multilaterais como garantes da paz - o discurso das comemorações do Dia D, a ser proferido em Porthsmouth no dia 5, seria suficiente para uma breve referência aos Aliados e dispensaria a evocação de outras alianças e parcerias.

Não, parece-me que a Rainha Isabel II expressou, o mais claramente que lhe foi possível, o que pensa da importância de protocolos internacionais, uma mensagem que Trump optará por ignorar, e o que pensa da prolongada indecisão quanto à União Europeia. Duvido que Johnson se permita ignorar tão facilmente esta admoestação ao Brexit e ao No Deal.

 

 

imagem de Hannah McKay/REUTERS, recolhida no Jornal Económico

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15.Outubro.1922 - 3.Junho.2019

por Sarin, em 03.06.19

E dos seus olhos vieram ventos que repassaram as frestas da gente e ali onde nos encontrou plantou as palavras que nos traduziram quem somos.

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Frame do Documentário "Agustina Bessa-Luís - Nasci Adulta e Morrerei Criança" da produtora PANAVIDEO

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Postal sem pressa

por Sarin, em 02.06.19

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Apetecia-me não escrever nenhum postal hoje - e apenas para não afundar o postal de ontem, como que a deixá-lo em destaque para que quem passa bata com os olhos nele.

Não por vaidade, embora confesse que gosto do resultado, que gosto especialmente dos diapositivos na última ligação.

Mas pela dor: os números doem. As realidades doem. E fazem-se sofrer, mas tantos de nós alheados...

 

Nisto, lembrei-me de números que vamos esquecendo pela voragem de outros números que se impõem ao dia: as vítimas de Kenneth e Idai e os esforços de reconstrução de Moçambique, tão semelhantes nas necessidades e tão distintas nas causas das vítimas dos massacres dos  Tutsi no Ruanda e dos Rohingya no Myanmar, massacres estes separados por quase 25 anos mas com as mesmas motivações, tão semelhantes às que levaram Hitler a construir fornos crematórios ou que fizeram de Masada uma cidade sitiada cujos herdeiros sitiam agora outros...

Todos os dias surgem novas vítimas, lá e cá - porque, embora noutra dimensão, também por cá as temos: vítimas da falta de civismo e das más acessibilidades, vítimas do esquecimento da família e da sociedade, vítimas da vida moderna.

São vítimas distintas, aquelas que lutam pelo direito a viver e aquelas que se confrontam com dificuldades para viver com saúde e autonomia. Mas nunca gostei da frase "Chorei por não ter sapatos até que vi uma criança sem pés": não me nivelo pelos mínimos, e nos meus braços cabem todos os injustiçados. Recordar uns não retira aos outros espaço na memória. Nem me limita as acções, limitadas pela minha insignificância e não pela minha indiferença.

E estas tantas vítimas têm causas distintas, entre a natureza tão alterada pelo homem e os homens alterados por vaidades várias.

"De que adianta falar e falar?", peguntarão...

... falo para que quem me lê ouça.

... falo para que quem me ouve pense.

... falo para que quem pensa não esqueça.

... falo, sobretudo, para que eu não me esqueça.

Não me esqueça de comer produtos locais e da época e evitar, tanto quanto possível, congelados enlatados importados porque mais saudáveis os primeiros, sim, mas também muito menos poluentes.

Não me esqueça de indagar a origem dos produtos e de investigar as marcas, preferindo aqueles e aquelas onde encontro cuidado e responsabilidade social.

Não me esqueça de que os artigos novos são bonitos e brilhantes mas são utilitários e não sinais de poder, que a pegada ambiental e social causada pelos artigos novos de que não preciso pesar-me-ia muito mais do que me pesam já alguns hábitos impostos e adquiridos talvez sem remissão.

Não me esqueça dos pequenos gestos e não me esqueça de que os pequenos gestos são pequenos mas são meus. E que sem eles talvez deixe de dormir bem, deixando de dormir bem deixe de pensar, deixando de pensar me limite a consumir o que me querem vender. Nessa altura serei um arremedo de mim, um remendo de gente que fui. E não serei, não estarei nem para mim nem para elas - as vítimas sobre quem agora escrevo.

 

 

imagem recolhida na rede: carta de tarot

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Que bom é ser-se criança

por Sarin, em 01.06.19

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Oficialmente, o Dia Mundial da Criança é o 20 de Novembro.

Porque foi no dia 20 de Novembro de 1959 que na ONU se assinou a Declaração Universal dos Direitos da Criança. E foi no dia 20 de Novembro que em 1989 se assinou a Convenção dos Direitos da Criança.

Esta convenção é, apenas, o tratado internacional mais ratificado de sempre: 192 dos 193 países reconhecidos junto da ONU são aderentes. A excepção são os EUA.

 

Mas o dia 1 de Junho já anteriormente havia sido declarado Dia Internacional da Criança... em 1925, durante a Conferência Mundial para o Bem-Estar da Criança realizada em Genebra, 

Por isso, em 51 países o Dia da Criança continua a ser celebrado a 1 de Junho.

Mas apenas 115 países dos mais de 200 países existentes no Mundo comemoram esta data - ou melhor, 114, pois no Japão não se comemora o Dia da Criança mas sim o Dia das Meninas (3 de Março) e o Dia dos Meninos (5 de Maio), uma evidência de quão profundamente a sociedade nipónica ainda é machista.

 

A Convenção dos Direitos da Criança não é um mero quadro de boas intenções: é um tratado internacional, um documento que deve ser vertido na legislação de cada um dos cento e noventa e dois países que a assinaram.

Assenta em quatro grandes pilares, transcritos exactamente como constam no sítio da UNICEF:

  • não discriminação, que significa que todas as crianças têm o direito de desenvolver todo o seu potencial – todas as crianças, em todas as circunstâncias, em qualquer momento, em qualquer parte do mundo.
  • interesse superior da criança deve ser uma consideração prioritária em todas as acções e decisões que lhe digam respeito.
  • sobrevivência e desenvolvimento sublinha a importância vital da garantia de acesso a serviços básicos e à igualdade de oportunidades para que as crianças possam desenvolver-se plenamente.
  • opinião da criança que significa que a voz das crianças deve ser ouvida e tida em conta em todos os assuntos que se relacionem com os seus direitos.

 

E, no entanto...

... são cerca de 15000 as crianças com menos de 5 anos que morrem diariamente.

... a cada 7 minutos morre um adolescente de forma violenta; em 2015 foram cerca de 82000.

... um quarto das crianças com menos de 5 anos não está registada. Sem registo não há certidão, sem certidão não há acesso aos cuidados de saúde ou à educação.

... em África, 38,6% das crianças em meio rural e 25,7% em meio urbano estão subnutridas.

... 61 milhões de crianças em idade escolar nunca andaram na escola nem frequentaram o ensino básico.

... há países onde nem todas as escolas têm água canalizada, instalações sanitárias ou promovem a higienização: são 58 os países onde nenhuma escola tem água canalizada, 49 os sem escolas com instalações sanitárias básicas e 70 aqueles onde as escolas não têm nem água nem  sabão para lavagem das mãos.

... há cerca de 152 milhões de crianças a trabalhar no mundo. Aproximadamente 18,2 milhões na indústria do vestuário e calçado, e cerca de 1 milhão na extracção de minérios para a indústria electrónica, actividade que também facilita a prostituição infantil.

... cerca de 17 milhões de mulheres adultas oriundas de países com baixos rendimentos disseram terem tido sexo forçado na infância, e cerca de 2,5 milhões de jovens mulheres de 28 países da Europa afirmaram terem sofrido violência sexual antes dos 15 anos. Não há dados sobre a violência sexual contra homens, não quer dizer que não exista.

...

... porque há muito mais.

 

Que, dolorosamente, é também muito menos.

Menos atenção.

Menos cuidado.

Menos futuro.

 

 

E Menos prendas, por favor:

Muitas das que hoje serão colocadas nas mãozitas das crianças felizes estão marcadas por mãozinhas de crianças sem riso.

 

 

que bom é ser-se criança.pptx

imagens colhidas na rede.       

 

 

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O lixo dos outros

por Sarin, em 31.05.19

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Every year we dump a massive 2.12 billion tons of waste. If all this waste was put on trucks they would go around the world 24 times.

The World Counts

 

 

O Ocidente andou décadas a enviar os resíduos para os, por si denominados, países do terceiro mundo.

Atulhados em dívidas externas e amarrados a estranhos acordos comerciais, tais países continuaram a receber todo o tipo de resíduos, num negócio que limpava o Ocidente de lixo e de vergonha e o deixava de cara lavada para discutir problemas tão sérios como o preço das quotas de carbono ou a proibição de palhinhas e cotonetes de plástico, tudo bem ensacado num saco de dez cêntimos.

 

Pois bem, isso acabou.

Os países de terceiro mundo cansaram-se de navegar dejectos e detritos, e estão já a devolver os resíduos ao resto do mundo, o seu a seu dono.

Será a melhor forma de os cidadãos ocidentais perceberem exactamente a quantidade de resíduos que produzem.

Até aqui, "longe da vista, longe do coração".

Agora já não.

 

Que sirva também para afogar a hipocrisia e pensar seriamente o Ambiente.

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Obrigada por estar aqui.




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